domingo, 22 de março de 2015

Carnaval de Campos e sua realidade

O problema do carnaval de Campos não é somente a data em que ele é realizado. Traze-lo de volta para fevereiro (ou seja, a data do carnaval de Momo) é sacramentar a sua morte de vez.

Motivo

O local onde é realizado os desfiles carnavalescos de Campos (CEPOP) é muito longe e com a falta de um transporte público eficiente afugenta a população. Outra fator predominante é a concorrência com cidades vizinhas que realizam carnavais tradicionais. Não se pode esquecer também que são fartos os eventos e shows nas praias da região. E claro, o próprio fato do carnaval de Campos ter sido criticado durante tantos anos e realmente não apresentar uma qualidade que faça despertar prazer em assisti-lo (pelo menos na época do carnaval, com tantas outras opções próximas) contribuiu para o seu fracasso. Então, se para encher as arquibancadas durante o período do “Campos Folia”  é um sufoco, imagina no período do carnaval, em fevereiro. São esses e vários outros fatores que impedem o sucesso do retorno dos desfiles das escolas e blocos de samba para a sua data original. O que deveria ser feito é aproveitar o “Campos Folia” e transforma-lo num atrativo cultural e turístico para a cidade. E isso é muito simples de ser feito, basta ter boa vontade e querer fazer.

O que fazer

Lamentavelmente os carnavalescos até hoje não aproveitaram a oportunidade do “carnaval fora de época”. No início até que os desfiles passaram a ter mais visibilidade, um público 5 vezes maior, um pouco mais de qualidade (não tanta a ponto de encher os olhos, mas bem melhor do que em outros tempos) e até mesmo interesse de empresários em investir na folia. Porém, não se foi feito um trabalho para trazer novos adeptos, aproximar mais a comunidade com as sociedades, organizar os desfiles, melhorar definitivamente a sua qualidade e o principal, parar de ser dependente apenas do poder público e usar o potencial da captação de recursos, através da lei de incentivo à cultura. Ao longo dos anos, as agremiações poderiam ter tido um trabalho social e conseguir muitas outras benesses para a população. Uma escola de samba hoje em dia poderia ter receita de quadra, de patrocínio e, claro, da prefeitura, que com certeza investiria com muito mais prazer. Isso tudo pode ser feito por organizadores e até mesmo pela própria agremiação. Valorizar o potencial de cada escola e bloco de samba é fácil, basta querer. E não podemos esquecer que é necessário e de fundamental importância uma maior divulgação da festa, em Campos, claro (já que muitos campistas não conhecem ainda o “Campos Folia”), mas também a nível nacional, a fim de trazer turistas interessados em conhecer os desfiles carnavalescos fora de época de Campos, potencializando a festa, como ocorrem em outra cidades.

Respeito

Mesmo com todos esses problemas não se pode tratar os carnavalescos com desrespeito, como são tratados por muitos. Temos nomes importantes dentro da sociedade que participam ativamente das escolas e blocos de samba, pessoas tradicionais e de caráter ilibado. Podemos dizer que na verdade muitos tem até boa vontade de crescer, mas faltou ou falta ainda, orientação. É Bom lembrar, que mesmo como todos esses atropelos, o carnaval de Campos é uma fonte de renda para muitos. Pessoas que muitas vezes sobrevivem apenas com o que faturam no período do “Campos Folia”. São carpinteiros, marceneiros, auxiliares, costureiras, decoradores, cozinheiras, músicos e etc. Isso sem contar no comércio que fatura com a venda de produtos carnavalescos, supermercados, os ambulantes que conseguem uma renda extra, os hotéis e muitos outros setores. Será que isso não é valioso? E não podemos esquecer a importância cultural que o carnaval proporciona e toda sua tradição. Não podemos colocar os problemas que a cidade passa, nos seus mais variados setores, (saúde, educação, desemprego e etc.) nos carnavalescos. Sem sua realização e claro, o devido respeito, a situação fica ainda pior.

Local

Temos um CEPOP que sem sombra de dúvidas é pomposo, moderno e com uma bela estética, mas que tecnicamente possui muitas falhas (faltou na época da sua construção, de um diálogo com pessoas que entendam de eventos e principalmente desfiles carnavalescos)

                                                                         

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